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Porcos em pelo de ovelha

É realmente impressionante o que se pode encontrar num ingênuo passeio…
Intervalo de aula. Entre estar com o grupo e sentir o vento gelado de um outono que se abre, optei por caminhar.
De repente, uma casinha de madeira, uma cerca elétrica, a bunda de um bicho e uma “berregação” digna daquelas ovelhas prontas para o abate.
Fiquei intrigado, cheguei mais perto. Para meu espanto se achegaram mais dois mostrengos peludos. Um não se aguentou e pulou em cima do outro. Até então nada de mais. Mundo animal. Se, como escreveu Chico, os “Uirapurus no Pará fazem”, porque esses bichos aqui na Alemanha não?
Depois do susto, ainda estático, calado, em completo estado de choque, notei que os tais animais se assemelhavam a porcos, porém cobertos por uma espécie de lã. Ou seriam ovelhas travestidas em corpo suíno?
Nesse nosso admirável mundo modificado geneticamente, não demora muito para passarmos em frente a vitrinas com legítimos casacos 100% lã suína ou entrarmos em açougues com bisteca de carneiro por apenas $ 6,99.

O "bendito" resfriado

Pode parecer loucura (no mundo em que estou inserido essa palavra assume um significado todo especial), mas sinto saudades de um belo resfriado, sem dor de garganta, é claro.
Faz tempo que não “pego” um, desde que me enveredei pelo caminho da alimentação biodinâmica.
Sabe aquele dia que você acorda podre, com uma sensação do tipo “ingeri psicotrópicos”, apesar de no dia anterior já ter pressentido a chegada do simpático vírus, ter tomado algum chá com paracetamol e ido dormir as nove.
Bom, ainda deitado, você olha o teto e testa… Solta um “aaaaaaaaaaaaaaaaaaa” e o conjunto não sai unissonante, mas truncado como o barulho de um trator. Pelo menos a voz está ótima para ligar para o trabalho e dizer fungando, tossindo, coçando a garganta: “sem condições”.
Alguns pequenos arrepios, frio intenso e corpo quente, indicam febre, não precisa ser muito, trinta e sete e alguma coisa já é o suficiente. Você precisa se alimentar: Café e sanduíche, na cama, tudo acompanhado pelo Laptop e pela televisão. Então, em plena terça, com as cortinas fechadas, você cochila, acorda, olha a caixa de mensagens, volta a dormir, assiste televisão, toscaneja mais um pouco, come e repete tudo mais umas “trocentas” vezes.
Lá pelas cinco, com o quarto fechado o dia inteiro, você percebe uma espessa neblina que cheira a Vick Vaporub, aspirina e mais uma centena de outros entorpecentes… Pois então, chegou a hora de reagir, abrir a janela, coçar o cabelo ensebado, tomar um banho e finalmente… sentir-se vivo!

Antropo…

Se você é humano, automaticamente é antropo e fique feliz com isso porque se você é antropo, é porque você é alguma coisa. Agora basta descobrir o que na verdade você é…
Antropológico – Ser que estuda a lógica de um ser que na verdade não possui lógica alguma;
Antropotrágico – Ser que, ao se deparar com os meios de comunicação só encontra, como ele mesmo diz, desgraça;
Antropofágico – Ser que come todo mundo;
Antroposábio – Ser que sabe que nada sabe;
Antroposádico – Ser que adora, no mínimo, um chicotinho;
Antropochato – Gerundista está sempre ando, ando, ando (ad infinitum);
Antropofóbico- Tem um medo terrível, muitas vezes com razão, do seu semelhante;
Antroposófico – Ser meio hippie, místico, que estudou em escola Waldorf e sabe tocar flauta;
Antropomórfico – Ser humano que se parece com um ser humano;
Antropogajo – Ser que nasceu num país chamado Portugal;
Antropomacho – Em pleno sábado deixa a mulher para tomar cerveja e assistir futebol;
Antropogrosso – Aquele que desconhece o significado das palavras por favor, obrigado e com licença;
Antropocêntrico – Ser que descobriu o próprio umbigo e acredita que só existe ele;
Antropoduro – Sujeito sem um centavo no bolso;
Antropolóvico (com acento mesmo) – Ser que, num cursinho de inglês, aprendeu a amar;
Antroposóbrio – Nunca botou um gole de álcool na boca;
Antropônico – Ser, na maioria das vezes dotado de inteligência acima da média, com olhos característicos, nascido no Japão;
Antropofálico – Ser masculino centrado no próprio pênis;
Antropolouco – Aquele ser que tem razões que a própria razão desconhece;
Antropomorto – O único antropo que temos a certeza que um dia seremos.

Waschlappen – O paninho de banho

A primeira vez me neguei peremptoriamente a usá-los. Eu e todo brasileiro que coloca os pés aqui, afinal de contas, somos o país da ducha.
Se eu quero escandalizar, é só contar que, no Brasil, tomava no mínimo dois banhos por dia. Ao terminar a fala, as pessoas com a mão na cabeça, olhos esbugalhados, dizem que sou maluco e que isso faz mal para a pele.
Acredito que o próprio clima europeu impossibilite esse amplo e maravilhoso contato com o elemento água, mas o fato é que cada povo arruma uma solução para se manter minimamente limpo e cheiroso.
Como todos sabem, os franceses, exemplo que amamos, se valem do perfume. Já aqui na batatolândia (termo utilizado pela minha amiga Grace quando se refere a Alemanha) é o famoso Waschlappen, ou seja, o paninho de banho.
Um fato engraçado é que depois de um certo tempo, normalmente acontece já no primeiro inverno, todo tupiniquim adere ao Waschlappen, embora não admita de forma alguma.
É o famoso processo de adaptação. Primeiro repudiamos, soltamos piadinhas coisa e tal, até que um dia, no silêncio do banheiro, na pressa, com medo de chegarmos atrasados e sem tempo para a ducha, caímos na tentação, ou melhor, na aculturação.
Puxamos os dois paninhos, um para a parte de cima, outro para a parte de baixo do corpo, molhamos eles na torneira e…