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Pomerode, 50 anos e algumas crônicas

Ao seguir adiante você fatalmente acaba em Blumenau. No sentido inverso é só subir a serra e chegar a Jaraguá do Sul, cidade que, ironicamente para todos os pomerodenses (individuo que nasce em Pomerode), fica ao norte. Os limites urbanos são “protegidos” por dois portais, orgulho da cidade. Místicos? Dizem que sim.
É engraçado pensar que ali, no meio dessas simbólicas construções, vivem sob pesada vigilância uns dos outros, praticamente 25 mil pessoas. Um pequeno feudo moderno. Ágil industrialmente, pacato do ponto de vista social e cruel com quem não se enquadra nos modelos preestabelecidos.
Acho fabulosa uma comunidade do Orkut criada por Bianca Pedrini. “Pomerode. Nasci, cresci e FUGI”. Na verdade eu não fugi, fui embora depois que passei no vestibular, ainda com a esperança de voltar definitivamente, mas isso até agora, não aconteceu. Apareço em esporádicos finais de semana ou dedico uma semana das férias de verão para perambular entre os portais. Sempre reclamo do calor e da falta de vento, em contrapartida, no meio dessa “panela de pressão” em estilo Enxaimel, encontro gente, visito lugares e compartilho histórias.

Meu querido Pomeroder Zeitung

O Pomeroder quase nunca acaba na minha caixinha de correspondência. Já virou hábito eu pedir para o porteiro se já chegou o “meu” jornal. Quando ele responde que sim, o dia fica diferente. Descer do carro, normalmente pegar a mochila, uma ou duas sacolas (de tecido) com compras e subir na corrida os quarenta e oito degraus que levam até o meu apartamento.Na área de serviço eu tiro o tênis empoeirado, jogo o par de meias no cesto, caminho pela cozinha, coloco água na cafeteira, verifico se tem pó, sigo até a mesa da sala e deixo o jornal. Volto e abro a geladeira, pego o açúcar mascavo e o leite. Com o café pronto, me dirijo novamente à sala, onde sento e começo a leitura.Primeiro procuro se tem algum texto meu. Quando encontro, leio com calma e tento ser o mais crítico possível. Depois vou para a capa e sigo com as matérias e colunas até a última página. Nomes e rostos conhecidos de pessoas que se casaram ou tiveram filhos, às vezes aparecem. Legal é decifrar a quanta anda a nossa política, não só no aspecto partidário, mas no contexto filosófico dessa palavra, coisa que Heike e sua trupe sabem fazer muito bem.Uma brincadeira divertida nos finais de tarde em que chega o Pomeroder é lembrar como eram as coisas, na minha visão, quando eu ainda morava lá e como elas são hoje. Piores ou melhores não importa. O fato é que tudo está sempre em transformação e esse instigante jornal, a cada quinzena, faz com que eu olhe novamente para o lugar de onde eu vim e perceba que talvez Pomerode não seja tão parada, muda e simpática como um dia cheguei a pensar que fosse.